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Bobagens da comunidade científica, de Fernando Reinach ao Antropoceno
Hoje, o tema é árido, mas vale a pena. É espantosa a incompetência da comunidade científica brasileira e internacional para entender a própria ciência e a realidade em que vivemos. Refiro-me a toda atividade científica oficial que aí está. Não só estão por fora cientistas da oficialidade do porte de Marcelo Gleiser, mas também jornalistas que acompanham a ciência, como o biólogo Fernando Reinach, que escreve para o Estadão. Está bem claro, para mim, que todos eles – inclusive jornalistas interessados em ciência, como Diogo Mainardi, de Veja, e Daniel Piza, de O Estado de S. Paulo – fazem pseudociência e raramente ciência autêntica.
Confirmam isto dois textos que li no Estadão de 7/2/08 e que até me deixaram de mau humor. Só melhorei quando li, logo em seguida, no mesmo dia, a crônica de Luis Fernando Verissimo no Caderno 2. Impagável a menção que Verissimo faz ao japonês inventor de um aparelho que, adaptado à coleira do cachorro, traduz para qualquer língua o seu latido. "Au! Au!", conta-nos Verissimo, pode significar "quero comida", "preciso fazer pipi" ou até "gostei do seu cabelo assim", ditos pelo cão a seu dono.
Isto melhorou meu humor, mas não a ponto de me fazer esquecer as mais recentes bobagens da comunidade científica. Vamos a elas. A primeira está em matéria da seção Vida& do Estadão, página A16 de 7/2/08, sob o título: "Estudos apontam que a ação do homem inicia nova era geológica, o Antropoceno”. O texto diz: "... geólogos propõem que a Revolução Industrial, no século 18, teve impactos (geológicos) profundos no planeta e pedem o reconhecimento oficial do Antropoceno pela Comissão Internacional de Estratigrafia”.
Traduzindo, a Revolução Industrial, ao trazer também muita destruição ao planeta, teria inaugurado, no século 18, nova época geológica, que os cientistas especialistas passaram a chamar de Antropoceno. E agora a comunidade científica oficial, essa decadente a que me refiro aqui, quer o reconhecimento científico de tal época.
A segunda bobagem está em artigo do biólogo Fernando Reinach, na mesma página A16 da seção Vida& do Estadão de 7/2/08 (texto de pé da página). Reinach nos alerta para o fato de que a origem da música (o “simples fato de ela existir”) ainda permanece um mistério para o homem. E que o mais recente livro do neurologista britânico Oliver Sacks, Tales of Music and Brain, “fornece-nos algumas pistas” a respeito.
Não é para tirar o humor? Número um: a ciência autêntica, que sempre dá aulas à ciência oficial (e esta raramente aprende), já nos mostrou que o Antropoceno, como nova época geológica, é mais uma bobagem dos cientistas da oficialidade. Número dois: já sabemos também, pois a ciência autêntica igualmente nos informou, qual a verdadeira origem da música e o que ela é e representa. (Continua abaixo).
Escrito por Tom Capri às 08h47
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Continuação do texto acima
Comecemos pela bobagem do Antropoceno. Já está claro que tem furos essa classificação ora aceita pela ciência, para as fases por que passou a Terra desde que se formou até nossos dias. Segundo esta classificação, a escala de tempo da Terra, do ponto de vista geológico, está dividida em éons, eras, períodos e épocas.
As épocas são as mais recentes e vão do Palecoceno, há 6,5 milhões de anos, ao Holoceno, na qual nos encontramos hoje. Atualmente, os geólogos querem acrescentar e tornar oficial mais uma época a essa escala: o Antropoceno, que, segundo eles, teria começado com a Revolução Industrial, em razão das mudanças geológicas que se processaram de lá para cá, a partir da ação predatória do homem sobre a natureza.
Começa que a ação predatória humana sobre o meio ambiente não começou com a Revolução Industrial no século 18, mas apenas se acentuou com ela, daí não se justificar o estabelecimento de uma nova época geológica a partir daí. Além disso, essa predação apenas se acentuou na Revolução Industrial, e não foi pela ação do homem, mas sim por causa da consolidação do capital, o maior destruidor do meio ambiente. Quem de fato destrói a natureza é a vida regida pelo capital, das pequenas empresas às multinacionais.
Na verdade, a ação predatória que poderia marcar o início de nova era geológica no planeta começou para valer quando, há não sei quantos anos (talvez mais de 30 mil anos atrás), a humanidade criou essa forma de trabalho irracional, violenta e cruel que temos hoje. Mais precisamente, quando o homem, involuntariamente, pôs um semelhante para trabalhar, seja como escravo, servo ou assalariado, e passou a tirar proveito individual desse tipo de ação (e exploração).
Em nenhuma espécie animal, um exemplar põe seu semelhante para trabalhar e o explora em proveito próprio. Só o ser humano faz isto. E colocar um semelhante para trabalhar e tirar proveito pessoal é, não temos mais dúvida, violência contra o ser humano, mesmo que o indivíduo receba um polpudo salário pelo trabalho despendido.
Você não vê um leão oprimir seus semelhantes e obrigá-los a apanhar a presa enquanto ele fica sentado embaixo da árvore, na sombra, à espera dos resultados da caça levada a cabo por aqueles a quem teria subordinado. Você também não vê, nem entre as formigas ou entre as abelhas, que têm suas operárias (a grande maioria delas), um exemplar da espécie subordinar semelhantes e explorar o trabalho alheio para poder ficar no bem-bom e tirar proveito disto, como um vagabundo respeitável e respeitado.
Nas espécies irracionais, você só vê isto em Lion King ou em Aints e nos desenhos animados da Disney. Todas as espécies são solidárias, especialmente na luta pela sobrevivência, inclusive o homem. Apenas que o homem deixou de ser solidário quando, há milhares de anos, um passou, inadvertida e inconseqüentemente, a tirar proveito do trabalho de outro, ora o escravizando, ora o tornando seu servo, ora o “remunerando” com salário.
Neste exato momento, começou a real ação predatória do homem, inaugurando verdadeiramente esse novo período geológico no planeta que os cientistas de plantão acreditam só ter começado no século 18, com a Revolução Industrial. Errado. Da Revolução Industrial para cá, tivemos apenas uma fase mais aguda dessa ação predatória, jamais o início dela.
É verdade, tem sido a fase em que a humanidade mais destruiu o planeta, ou melhor, a em que a destruição da natureza mais se exacerbou, por conta da voracidade do capital. Mas a Revolução Industrial não é, absolutamente, o início dessa destruição. E também essa destruição não foi arquitetada pelo homem, como já vimos, mas sim pelo capital (que é o homem em ação sob uma forma de trabalho predatória muito específica que ele não escolheu nem domina). Daí não se justificar que a Revolução Industrial se torne marco de mudanças geológicas de porte no planeta, isto é, marco inicial do Antropoceno.
Se a comunidade científica oficial quer o reconhecimento da Revolução Industrial como marco divisório de início do Antropoceno, que dê à época, então, outro nome. Aconselho Capitalceno. Ou então que corrija essa imprecisão de data, passando a considerar, como marco inicial e divisório do Antropoceno, o momento da humanidade em que ela inaugurou o trabalho que temos hoje, esse em que um explora o de outros em proveito próprio, ou seja, o momento em que apareceram as duas classes básicas de homens que temos hoje.
Continua no texto abaixo. Mais sobre a ação predadora do capital, que paradoxalmente trouxe tanto progresso à humanidade, mas ao mesmo tempo vem destruindo a natureza, você encontra em meu livro Miséria da Ciência, disponível em pdf em meu site www.virobscurus.com.br.
Escrito por Tom Capri às 08h41
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Conclusão do texto acima
Quanto à origem da música, ela é conhecida há séculos, não há sequer sombra de dúvida a respeito. Só os cientistas da oficialidade e os jornalistas especializados é que desconhecem. A música, bem como toda forma de arte, é o grito da alma em desespero ou em júbilo e alegria, que o artista põe para fora para aplacar sua dor, expiar sua culpa ou extravasar toda sua felicidade, dividindo essas emoções com o outro (o público).
Quando, nas cavernas, o humano via o filho pequeno desgarrar-se, ser apanhado e devorado por um predador qualquer, urrava para extravasar sua dor. Era uma época em que o homem ainda não se comunicava por meio da palavra, ainda desconhecia a linguagem. Sua única forma de comunicação estava nos ruídos que emitia, como os gritos de dor ou de alegria. Este e seus outros urros foram evoluindo, de forma relativamente complexa, para a música, até chegarmos, nos dias de hoje, a canções como Tears in Heaven, de Eric Clapton, escrita em memória ao filho morto, Conor, que com quatro anos caiu do 53o andar de um edifício de Nova York.
Evidentemente, na sociedade regida pelo capital, se faz muita música para encher os cofres das gravadoras, que, a propósito, estão perdendo espaço e fechando as portas, minadas que foram pela Internet. Também a música contemporânea enriqueceu muitos artistas. Mas a origem da arte é essa. Quem, entre nós, ao se apaixonar, não se pôs um dia a cantar, eufórico, extravasando a própria felicidade? É na sociedade de hoje, regida pelo capital, que o homem mais grita, ou seja, que mais faz arte. Picasso dizia que a arte é uma mentira (na medida em que é ficção, invenção do artista) que nos faz ver uma verdade. Estava certo.
Quando perdeu o filho, Eric Clapton compôs Tears in Heaven para aplacar sua dor e, assim, fez música, logo, arte. A então mulher de Clapton, Lori Del Santo, de quem ele já se separou, escreveu na época 200 páginas que guardou num depósito, para transformá-las depois em livro, e, se não fez música, à época, de qualquer maneira também fez arte.
Nesse sentido, somos todos artistas, e igualmente músicos. A arte – logo, a música também, seja a melodia, seja a letra – é sempre o grito interior, ora de dor, ora de felicidade, que o artista nunca reprime nem deixa parado no ar, sempre posto para fora na forma de uma obra artística qualquer. Mesmo a obra mais abstrata emana de um grito interior e também é pura emoção, se for sincera, evidentemente. Vide a pintura de Jackson Pollock.
Acabo de ver Paranoid Park, o novo filme de Gus Van Sant. Alex (interpretado por Gabe Nevins) é um jovem skatista de 16 anos que um dia, sem querer, comete um crime. Não é apanhado pela polícia nem condenado. Mas fica com aquele peso, que ele irá carregar para sempre e que irá mudar completamente sua vida. Para aplacar a dor dele, a namorada, que até o fim fica sem saber o que aconteceu, o aconselha a pôr no papel a história que o perturba, qualquer que ela seja. E Alex o faz. Põe seu grito para fora na forma de obra literária. Eis a arte. Mais sobre o que é de fato a arte você também encontra em meu livro Miséria da Ciência, igualmente disponível em versão em pdf em meu site www.virobscurus.com.br.
É triste ver a ciência oficial perdida em meio a essas bobagens. Mais triste é ela considerar a origem da música ainda um mistério, como vimos no artigo do biólogo Fernando Reinach para o Estadão. Não é hora de acordar essa gente? Abraços a todos, Tom Capri.
Escrito por Tom Capri às 08h34
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A pseudociência de Diogo Mainardi e Daniel Piza
Esta série de artigos sobre Diogo Mainardi e Daniel Piza foi enviada também ao nosso mailing que contém mais de mil nomes e inclui celebridades, renomados jornalistas, artistas, escritores, políticos, empresários, esportistas, intelectuais e cientistas de todo o País. E você a encontra também em nosso site www.virobscurus.com.br.
Conheça os equívocos que Diogo Mainardi e Daniel Piza cometem em cada artigo, o que leva sempre seus leitores à desinformação e à pseudociência. Perdão se me alongo, e também pelas falhas de português e digitação.
Abro dizendo que, apesar de discordar de quase tudo o que ambos escrevem, tenho grande admiração por Diogo Mainardi, de Veja, e por Daniel Piza, do Estadão. É uma admiração já manifestada em livro e que chega a ser inveja. Pelo bom texto e porque ambos não têm medo de dizer o que pensam nem de ser politicamente incorretos, algo raro até nos mais argutos e conscientes comentaristas brasileiros. Sei que é fácil ser corajoso de direita em qualquer parte do mundo, hoje, mas a maioria de nossos articulistas não tem essa força presente nos dois.
É exatamente por esta razão que, em meu novo livro (Miséria da Ciência), já publicado, digo que gostaria de ter um deles como prefaciador. Este meu livro, entre outras coisas, desconstrói, do começo ao final, todo o pensamento e a visão de mundo de Mainardi e Piza. Mostra que, apesar dessas qualidades que aqui apontei, os dois cometem equívocos em todos ----- tooooodos! ----- os seus comentários. Não escapa nenhum. Portanto, ninguém melhor para me prefaciar que os próprios autores desses equívocos, exaustivamente apontados pela minha obra.
Mainardi e Piza cometem esses erros por despreparo, desinformação e inocência. Nunca são criticados nem condenados por eles (isto é, pelos erros, a meu ver, mais essenciais), pois seus críticos também não os percebem, desinformados que igualmente são. Eles têm sido criticados muito mais porque seus desafetos não gostam das críticas que recebem deles e reagem. Ou pelos equívocos "não-essenciais" que ambos cometem, como de informação errada etc. Ou seja, os dois nunca são criticados por aquilo que merecem ser criticados. (Abaixo, mais sobre a pseudociência de Diogo Mainardi e Daniel Piza - continuação).
Escrito por Tom Capri às 14h46
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Mais sobre a pseudociência de Diogo Mainardi e Daniel Piza
Como os equívocos tanto de Mainardi quanto de Piza aparecem com freqüência em cada artigo de ambos, é impossível apontar todos de tudo o que já escreveram. Por isso, vou me ater apenas aos que encontrei nos dois comentários acima mencionados, de autoria de ambos.
Na Veja (edição 2036, página 161, artigo "Somos Todos Chimpanzés"), Mainardi discorre sobre o "Quociente de Inteligência", o QI. Fica claro que Mainardi ainda não entendeu o que é QI nem o que é desempenho intelectual e muito menos o que são a genética, a evolução, a natureza e o meio ambiente. Desconhece, em suma, o que verdadeiramente forja o QI num indivíduo.
Esta não é uma deficiência só de Mainardi, mas de toda a ciência oficial, essa que aí está, atuante nos dias de hoje, de Dawkins a Damasio. Na verdade, toda a ciência oficial (ao contrário da autêntica) desconhece o que é de fato o QI, principalmente os cientistas que Mainardi cita em seu artigo: Arthur Jensen e James R. Flynn.
Vou me ater apenas ao maior equívoco do texto de Mainardi: é quando ele subdivide a fonte de origem do QI em "fatores genéticos" e "fatores ambientais". A ciência autêntica já comprovou: não existe tal distinção. Sim, existe toda uma carga genética que herdamos de nossos pais e que é decisiva para a formação do QI de cada um. Mas esta carga genética nem de longe é criada pelo boitatá ou por algum tipo de bruxaria. Ela é arquitetada pelos nossos ancestrais, na luta que travaram pela própria sobrevivência, ao longo das gerações.
Não há um único traço genético, em cada um de nós, que não tenha sido construído dessa maneira: pela via da sociabilidade. Desde que entendamos com precisão, é claro, o que é realmente sociabilidade: a luta diária do ser humano pela sobrevivência de sua própria espécie, ao longo das gerações, desde os primeiros passos da humanidade. E esta luta (a sociabilidade) se dá justamente no relacionamento entre si dos próprios indivíduos (o âmbito do social) e também na relação que se estabelece entre estes mesmos indivíduos que se integram e o meio ambiente (o que também é a esfera do social).
Isto, e somente isto, é a sociabilidade. O meio ambiente é apenas elemento que entra no processo, que é sempre bastante complexo, já deu para perceber. E o meio ambiente (a natureza) entra em todos os processos como elemento decisivo: no de formação de nossa genética, ao longo dos anos; na luta pela sobrevivência tanto de nossa quanto das gerações pregressas; enfim, na formação do QI de cada um de nós.
Ou seja, nossa genética é fruto da relação que mantiveram nossas gerações pregressas, no esforço intramuros que foi a sua sociabilidade, e da relação que estes mesmos indivíduos, integrados, estabeleceram com o meio ambiente, o que também é a nossa sociabilidade.
Repetindo, nossa genética é, como tudo o que temos e herdamos (QI, capacidade físico-motora etc.), fruto da sociabilidade exercida por nossas gerações pregressas, ao longo da evolução de nossa espécie. Ou seja, nossa genética é fruto de nossa sociabilidade, da mesma forma que nossa evolução é a evolução de nossa genética: ambas coincidem, compõem um mesmo todo, uma mesma coisa em partes distintas. Nosso ser e nossa genética são a mesma coisa.
Portanto, a genética não é uma loteria que vem do nada e não tem origem, como quer Daniel Piza, articulista de O Estado de S. Paulo. Ela é claramente determinada pela ação humana, ao longo das gerações, e implica toda a história da humanidade, durante nossa evolução. Nossa genética é resultado de nossa história. Logo, o QI de cada um vem também daí e não de onde presumem equivocadamente Diogo Mainardi, Daniel Piza e a ciência oficial. (Mais abaixo a respeito da pseudociência de Diogo Mainardi e Daniel Piza).
Escrito por Tom Capri às 14h40
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Mais sobre a pseudociência de Diogo Mainardi e Daniel Piza
Embora Daniel Piza ache que a genética é, ainda que parcialmente, uma verdadeira loteria (no que cai de novo na pseudociência), não é este o equívoco que ele comete no texto de 25/11/07, no Estadão (coluna Sinopse, Caderno de Cultura, página D3), o qual passo agora a analisar. São muitos os erros de Piza só neste artigo, como em tudo o que escreve. Abordarei apenas o maior deles, o de o articulista dizer que "o consumo – cujo apelo psicológico é a variável da equação menosprezada por Marx em sua visão classista do capitalismo – é o combustível da economia americana".
Não sei de onde Piza tirou isso. De Marx é que não foi. Começa que, para Marx, o consumo é o combustível não só da economia americana, mas de toda a economia capitalista. Quem leu Marx com um pouquinho mais de atenção sabe que o consumo foi uma de suas grandes preocupações. E que a visão de Marx sobre o consumo é cientificamente correta e ainda não foi derrubada pela ciência autêntica.
O consumo é, para Marx, componente essencial da produção. Marx vê uma interação dialética entre a produção e o consumo, em que ambos são parte essencial de uma mesma unidade. Em suma, o consumo é, em Marx, elemento essencial e fundante da produção, que por sua vez é parte da essência da venda, que é, por fim, o fundamento da vida capitalista.
Portanto, Marx deu enóóóóóóóórme importância ao consumo, sim. E ao apelo psicológico que o consumo gera. O que Piza afirma dele, a respeito, é interpretação equivocada feita pela ciência oficial e por intérpretes os mais chinfrins, nos quais embarca o articulista. Esta equivocada percepção de Piza prova também que ou o articulista não leu Marx e foi apenas na onda de seus piores intérpretes ou leu Marx e não entendeu.
Repito: tanto Mainardi quanto Piza não têm culpa pelos equívocos que diariamente cometem e pelos quais deveriam ser, aí sim, criticados. Mainardi admite não ter muito estudo. Já verbalizou isto publicamente. Percebe-se também que o estudo a que se dedicou, até aqui, é o oficial, que vem da "academia": não se ampara quase nunca na razão, daí essas lacunas às vezes profundas e irremediáveis.
Já Piza diz que estudou, e muito, mas o que percebemos é que seus conhecimentos também provêm da mesma fonte de Mainardi, a "academia": resultam sempre em muita ilustração e pouca consistência, além do que quase nunca vão à essência. Todas essas lacunas de ambos decorrem do fato de que tanto Mainardi quanto Piza não entenderam ainda a realidade, naquilo que ela tem de verdadeiramente importante e significativo.
Como a maioria esmagadora dos cientistas, intelectuais e celebridades de todos os cantos do planeta também é assim, os dois estão, lamentavelmente, mergulhados na inconsciência. São alienados clássicos, ou melhor, o resultado dessa sociabilidade que aí está e que os forjou ao longo de zilhares de anos. Cada um contém, nas suas limitações e parco alcance, toda a história da humanidade. Daí estarem fazendo, sempre, pseudociência.
Meu livro, Miséria da Ciência, enumera, da primeira à última página, todas as mais significativas percepções equivocadas dos dois jornalistas. E explica, com argumentos científicos, por que elas são equivocadas. Temo que nenhum dos dois venha a lê-lo um dia e que nunca chegue à plena consciência.
Sim, todo ser humano está sempre, desde o momento em que foi gerado, gestando o próprio conhecimento na sociabilidade, para chegar à consciência. O problema é que nascemos em meio a condições que não determinamos, e a maioria esmagadora de nós nunca chega lá, mesmo que se tenha preparado muito. Já imaginou esses dois devidamente instrumentados e guiados pela razão? Só o futuro poderá nos dar uma resposta a isto. Pessoalmente, tenho esperanças de que ambos se superem. Mas nenhuma certeza. Abraços a todos, Tom Capri.
Escrito por Tom Capri às 14h37
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A Alienação de Carlos Alberto Sardenberg
Este comentário também está sendo enviado a um mailing de mais de mil personalidades e celebridades brasileiras, jornalistas, publicitários, economistas, empresários, artistas etc.
A alienação de Carlos Alberto Sardenberg
Trabalhei lado a lado com Sardenberg, hoje comentarista de economia do Estadão e da CBN. Nunca conversamos pra valer porque ele lá, eu aqui, cada um no seu canto, na redação. Passei a conhecê-lo melhor depois que saí do Estadão, em 1982, e me pus a ler mais atentamente seus comentários e, em tempos mais recentes, a ouvi-lo pela CBN, ele ao lado de Heródoto Barbeiro, que foi meu professor no Objetivo. Há muito que estou para dar uns chacoalhões em Sardenberg. Na próxima vez que o encontrar, o farei pessoalmente. Ele merece.
O artigo dele de hoje do Estadão (10/9), "Socialistas, no Mundo do Capital", é um primor de alienação e falta de preparo. É a síntese, ou melhor, o ápice de todas as bobagens que ele vem escrevendo e dizendo já há algum tempo, e que, desta vez, fizeram meu copo transbordar.
Não-dialético de carteirinha (até aí, passa, ninguém nasce dialético nos dias de hoje), parou nos anos 60 e não se deu ao trabalho de ler o que de mais importante foi escrito e dito a respeito do "marxismo", do "comunismo" e similares. Passou ao largo desses estudos, simplesmente, e aí se perdeu na desconceituação, na desinformação, na des-tudo.
Por ter parado aí e só lido (se tanto) o que lhe "interessa", ou seja, apenas o que bate com suas idéias e convicções (a maioria delas, furadas e equivocadas), Sardenberg perdeu o bonde da história e ficou sem saber o que há de essencial e mais importante, no mundo moderno. Transformou-se num alienado clássico. E o mundo está cheio deles, infelizmente, ditando regras e fazendo opinião, o que me deixa mais pessimista ainda com relação ao futuro da humanidade.
Nesse seu artigo de hoje, é escancaradamente visível que:
1 - Sardenberg ainda não sabe que salário é, cientificamente comprovado, truque (veja, ainda não sabe em pleno século 21!!!).
2 - Sardenberg ainda não entendeu o que é mais-valia nem a enxerga como a violência-mãe que o homem pratica contra o seu semelhante (veja, não entendeu nem enxerga isto em pleno século 21!!!).
3 - Sardenberg ainda não sabe que, alienado e idiotizado pela vida que leva, teve mais-valia expropriada a vida inteira (ou seja, foi sempre violentado por ter trabalho usurpado ou roubado a vida toda). Não sabe que esta prática molda uma forma de sociabilidade, a que temos hoje, a qual, por sua vez, molda a personalidade e o caráter do ser humano, hoje em dia, inclusive o dele. Sardenberg não sabe que já derrubou lágrimas, suor e sangue sem ser devidamente compensado por isto, já que salário, por ser truque barato, nunca é recompensa justa e tem custado muito caro para a humanidade (e, veja, ele ainda não sabe tudo isto em pleno século 21!!!).
4 - Sardenberg ainda não sabe que Leo Huberman, por ele amplamente citado em seu artigo de hoje, foi apenas um intérprete de Marx, e dos mais chinfrins, daqueles que nunca entenderam o velhinho alemão, como ele. A interpretação de Huberman a respeito de Marx, altamente questionável e já demolida pela ciência verdadeira, está entre as mais equivocadas e rasas e é tão frágil quanto a estalinista(veja, Sardenberg ainda não sabe isto em pleno século 21!!!).
5 - Sardenberg ainda não crê e não sabe que Marx fez ciência e não doutrinas. Que a mais-valia não é uma invenção, uma doutrina ou um ponto de vista dele, mas sim descoberta científica, e melhor, já comprovada e consagrada pela ciência autêntica. A expropriação de mais-valia, por exemplo, acontece concretamente na realidade, não é modelo teórico posto de pé por Marx. Sardenberg também não sabe que, embora ainda estejam em voga e em prática em todo o planeta, Adam Smith e a economia clássica já foram definitivamente demolidos pela ciência autêntica como falsa ciência. (E, veja, Sardenberg ainda não sabe isto em pleno século 21!!!). (CONTINUA ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 14h16
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Final de "A Alienação de Carlos Alberto Sardenberg"
6 - Sardenberg ainda não sabe, também, que palavras e expressões como "marxismo", "doutrina marxista" e "ideais marxistas" sempre foram disparates e nunca fizeram sentido, da mesma forma que careceria de fundamento, hoje, quando nos referíssemos a Galileu (1564-1642), usar expressões como "galileísmo" ou "doutrina galileísta". Ou, quando nos referíssemos a Albert Einstein (1879-1955, falássemos em "einsteinismo" ou "doutrina einsteinista". Tudo o que esses autores fizeram foram descobertas científicas, não doutrinas a serem aplicadas aqui e ali. (E, veja, Sardenberg ainda não sabe isto em pleno século 21!!!).
7 - A ciência autêntica já sabe, Sardenberg não, que, portanto, tais expressões carecem de sentido. Sabe por quê? Porque, como Galileu e Einstein, Marx foi apenas um descobridor, ou seja, um cientista, nunca um inventor. O máximo que a humanidade pode fazer, no caso dos três, é comprovar cientificamente seus achados, como a teoria da relatividade de Einstein, e em seguida assimilá-los e colocá-los em prática, se forem aceitos e comprovados, ou rejeitá-los e derrubá-los, se não forem aceitos nem comprovados. (E, veja, Sardenberg ainda não sabe isto em pleno século 21!!!).
8 - Sardenberg não sabe, portanto, que expressões como "galileísmo" e "galileísta", "einsteinismo" e "einsteinista" ou "marxismo" e "marxista" não se sustentam e carecem de significado, da mesma forma que é um enorme disparate tornar-se "seguidor" de Galileu, Einstein ou Marx. Você, leitor, consegue ser seguidor da lei da gravidade? Sardenberg consegue, da mesma forma que consegue ser seguidor de Adam Smith e não seguidor de Marx. Marx mesmo, há mais de 150 anos, dizia que o "marxismo" não existe e considerava incorreto que dissessem dele ser um "marxista". (E, veja, Sardenberg ainda não sabe tudo isto em pleno século 21!!!)
9 - Por nunca ter lido Marx (se leu, obviamente não entendeu) e ficado somente nos seus intérpretes (nos mais chinfrins, como Huberman), Sardenberg também não sabe que Marx nunca disse que o "socialismo é algo inevitável" nem que, com "a chegada do socialismo, teríamos o fim da história". Sardenberg não sabe que tais percepções e noções, equivocadíssimas, vêm dos intérpretes chinfrins de Marx, não dele.
10 - Por fim, Sardenberg ainda não sabe (aiiiiiiiiiiiiiiiiiinda!!!) que nunca houve, concretamente, nem socialismo nem comunismo em lugar nenhum do planeta, de Cuba à China. Não sabe que o que conhecemos por "socialismo real" ou "comunismo real" nunca foi nem sombra de socialismo ou comunismo. Em seu artigo de hoje, Sardenberg diz ainda que Huberman errou quando, "citando Marx", disse que o fim do capitalismo era inevitável, pois "o que realmente realmente acabou foi o socialismo". Como pode uma coisa que nunca existiu ter acabado? Isto só prova que Sardenberg também ainda não sabe que tudo um dia acaba e se transforma em outra coisa, tuuuuuuuudo!, desde um pacote de manteiga até o próprio Sardenberg, que um dia será pó ou cinza. Sardenberg não sabe que o que de fato ocorreu na extinta União Soviética, e está ocorrendo hoje em Cuba, na Coréia do Norte e na China, nunca foi socialismo nem comunismo autênticos. Ou seja, Sardenberg não sabe nem faz a menor idéia do que sejam, de fato, capitalismo, socialismo ou comunismo. Não domina os conceitos, imagina que se trate de ideário, doutrina, ponto de vista, ideologia, invenção do homem a ser aplicada à realidade, quando não é nada disso. Em suma, Sardenberg é a alienação pós-moderna, o despreparo clássico da era virtual, a ignorância movida a salário porque presta um serviço a quem rouba dele trabalho, para o que ele continua cego. Hora de examinar ou reexaminar os clássicos, Sardenberg.
Escrito por Tom Capri às 14h12
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Por que nossa Crônica não entende de futebol
Nossa crônica esportiva não entende de futebol. Sabe por quê? Porque não é dialética.
Por Tom Capri
O comentário abaixo, um ensaio de sete páginas em Word, também está sendo enviado a um mailing de mais de mil pessoas, incluindo cronistas esportivos de renome, esportistas, celebridades, intelectuais, políticos, enfim, os principais atores da cena brasileira. Você pode lê-lo ainda, dividido em quatro partes, no meu blog "Diário da Verdade": tom.capri.blog.uol.com.br. Acompanhe.
R aríssimos são os cronistas esportivos brasileiros que entendem, hoje, de futebol, para não dizer nenhum, de Juca Kfouri a Ruy Carlos Ostermann. Estou entre eles também, é claro. Por que ninguém domina esse esporte? Simples: porque não somos dialéticos. Não só nossos cronistas esportivos, mas a maioria esmagadora dos brasileiros ----- incluindo os dirigentes, técnicos e jogadores ----- não é dialética nem raciocina dialeticamente. Por não sermos dialéticos, ainda não entendemos a realidade e, obviamente, também não dominamos o futebol. Aí está, decifrado, o enigma do esporte "beretão-tão-tão".
E o que é ser dialético? Não é bicho de sete cabeças. Se você tiver um pouco de paciência, aqui vai uma explicação, a melhor que achei e que posso dar. O texto não é grande, tem seis páginas em Word numa linguagem bastante acessível, mas exige um mínimo de atenção e boa vontade, se você deseja saber por que a mídia esportiva ignora e, pior, por que ignora que ignora.
Ponto de partida: a dialética não é ponto de vista, pensamento, nova maneira de ver as coisas, doutrina, invenção humana ou fórmula saída da cabeça de algum filósofo. Portanto, não é algo ou modelo que se aplica à realidade. Ao contrário, a realidade é que é dialética. A realidade é dialética, a dialética é parte da realidade, está na realidade, como o estão a lei da gravidade e a teoria da relatividade. Da mesma forma que existem a força gravitacional e o movimento dos corpos, existe também a dialética na natureza. Assim, a dialética não é ficção, não é invenção, é a maneira como a realidade se manifesta e se expressa. E isto precisa ser explicado, o que faço a seguir.
A maioria ainda não sabe, mas a realidade se expressa e se manifesta dialeticamente da mesma forma que ela é regida também pela lei da gravidade e pelo movimento dos corpos. Quem não enxerga os seres e objetos desta maneira ----- ou seja, quem não leva em conta a lei da gravidade, o movimento dos corpos nem a dialética ----- acaba não entendendo a realidade e, portanto, fica sem compreender também os fenômenos que nela ocorrem, como o futebol.
Aqui vai, então, a melhor explicação que já tive sobre a dialética.
Qualquer coisa ----- um ser ou objeto ----- não surge na realidade criado por Deus ou por uma força qualquer. Também nada nasce de geração espontânea nem vêm do mistério ou de forças irracionais. O que produz as coisas, na natureza, é o atrito que naturalmente ocorre entre os seres, entre os objetos. O atrito é o deus-criador de tudo. A palavra mágica, portanto, é "atrito". Você pode usar sinônimos para ela, como "conflito", "luta de contrários", "choque de opostos", "contradição", mas é sempre o atrito que produz as coisas e tudo que aí está, do homem ao objetos mais simples.
Acompanhe o raciocínio. Tudo está em movimento, tudo flui. Mesmo a pedra em repouso no alto da montanha ou o pacote de manteiga que está parado na sua geladeira encontram-se em movimento, não há exceção.
A pedra em repouso está em movimento porque, além de sofrer a ação do ar e das intempéries, todos os seus átomos também se encontram em movimento. Além disso, a pedra também está em movimento porque a Terra se move por si mesma e gira ao redor do Sol, fazendo com que nada em repouso na Terra esteja literalmente parado. O mesmo se pode dizer do pacote de manteiga na geladeira e de tudo que está aparentemente em repouso. Arrematando, não existe nada em repouso absoluto. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h03
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CONTINUAÇÃO DO TEXTO ACIMA
Tenha um pouco de paciência, já, já, chegaremos ao futebol, que é o que nos interessa agora. Ora, se tudo está em movimento, tudo segue em alguma direção, flui para algum ponto. Logo, vai necessariamente atritar-se ou chocar-se com alguma coisa no caminho, num determinado momento. E, obviamente, deste choque só podem resultar coisas novas. Você dá um soco no queixo do oponente, numa luta de boxe, e disto resulta o nocaute ou uma comoção qualquer. Eis o novo despontando no rosto do adversário, a partir do choque.
Vamos a outro exemplo: o futebol. Os jogadores precisam chocar-se e atritar-se entre si e com a bola por um bom tempo para que haja o jogo de futebol. É do atrito dos jogadores com eles mesmos e com a bola que se produz a partida, que é o novo. Ou seja, é somente por causa desse conflito, dessa luta de contrários, desse choque de opostos, dessa contradição, que se torna possível o jogo de futebol. Se os jogadores e a bola permanecerem parados e estáticos em campo, não há jogo. Por incrível que pareça, tudo é assim.
Aí está a dialética, que pode ser resumida desta maneira: tudo está em movimento, o movimento necessariamente leva aos choques e atritos, e destes surgem as coisas na realidade. Tudo surgiu no mundo assim, vindo de lutas de contrários que se opuseram no real, produzindo o novo. Não há exceção para isto. Você que está me lendo também não teria existido não fosse o choque dialético. Foi preciso que seu pai fizesse amor com sua mãe ----- ou seja, promovesse essa espécie bastante distinta de atrito ----- para que você nascesse. É mentira que Maria teve Jesus sem ser fecundada.
E a dialética não é só isto. Se tudo nasce do atrito, do choque de forças contrárias, é óbvio que algo só surge na realidade processualmente. Isto é, nada surge de repente, do vazio, mas sim lenta e gradualmente, em suma, dialeticamente. Também não há exceção para isto. Não existe mágica na realidade. Ninguém faz "puf!" e aparece alguma coisa à sua frente. Não. Tudo ----- tuuuuudo!!! ----- é lento, gradual, processual, dialético, mesmo uma explosão. Para acontecer a explosão, a bomba precisou ser construída e teve de haver um motivo para explodir. Foi, portanto, um processo o que a levou a explodir.
Confira: para atravessar a ponte, você precisa, antes, chegar a ela. Uma bala de revólver na cabeça mata na hora, dando-nos a impressão de que essa morte aconteceu repentinamente. Só que muito choque dialético (muito atrito) teve de rolar antes que o tiro saísse e matasse. Até a morte por bala na cabeça é sempre lenta e processual (demora-se para acontecer), não se dá repentinamente, como aparenta, pois é preciso, primeiro, o atirador ter nascido e crescido, e, depois, ter tido um ou mais motivos para colocar uma bala na cabeça de alguém.
Enfim, tudo é resultado de processos, tudo é gradual e duradouro. Por exemplo, a vida como surgiu no planeta. Não foi algo de geração espontânea nem criação de um deus ou qualquer coisa parecida, mas resultado de processos lentos e duradouros, portanto, milenares e dialéticos, em que se registraram zilhares de atritos.
Tivemos inicialmente um big bang, a grande explosão que gerou os corpos celestes hoje conhecidos, um primeiro processo dialético. Aí, houve o resfriamento desses corpos (alguns ainda estão se resfriando, como o Sol), outro processo gradual e dialético. Em seguida, formaram-se os planetas, como o nosso. A Terra, por exemplo, teve o privilégio de criar, lenta e processualmente, durante o seu resfriamento, uma extensa camada de atmosfera e estar a uma distância do Sol ideal para o aparecimento da vida por aqui. Foram, portanto, milhares de anos e muitos processos graduais e dialéticos para que a vida aparecesse no planeta.
E mais: tudo surge, emana, desponta dos atritos e dos choques. O raio cai na árvore e deste choque (atrito) surge o novo, que é a árvore destruída e provavelmente queimada, para então servir de adubo a outras plantas e mudar a vida na Terra. Acontece que nem tudo que é novo é gerado já no primeiro choque, no primeiro atrito, no primeiro conflito de opostos, como acontece no caso do raio que cai na árvore. São necessários sempre ----- sempre!!!! ----- muitos choques, muitos atritos, muitos conflitos (na verdade, uma grande variedade deles) para que as coisas apareçam na realidade. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h03
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Temos também o "vaivém dialético", que muitos encontram dificuldade para assimilar, mas que é decisivo para se entender a realidade. É o "toma-lá-dá-cá" que caracteriza a dialética e que está sempre presente na origem e no aparecimento das coisas e de todos os fenômenos. Nem sempre é de um choque só que a coisa nova nasce. Às vezes, é necessária uma sucessão de choques para que ela desponte, ou seja, é necessário ocorrer o vaivém dialético.
Vamos a um exemplo de vaivém dialético: a água posta para ferver na chaleira. Temos aqui o atrito ou os choques entre dois opostos, o fogo e a água, intermediado pela chaleira. Mas não é porque ponho a água no fogo que imediatamente tenho a água fervida. O fogo vai lentamente aumentando a temperatura da água. E aí, à medida que a temperatura vai aumentando, a água vai lentamente mudando, já que está esquentando. Um grau que seja a mais torna a água um grau a mais aquecida. E, com a água um grau a mais aquecida, ela vai também alterando a força do fogo que a aquece, o qual precisa, assim, de mais força combustiva para continuar aquecendo na mesma intensidade.
Processa-se, dessa maneira, o vaivém dialético, em que os dois opostos evoluem assim: uma força contrária (por exemplo, o fogo) vai agindo e modificando a outra (por exemplo, a água), e ao mesmo tempo sendo modificada pela outra, até que, num determinado momento, depois de sucessivas modificações quantitativas, acontece a revolução. É quando a água, já suficientemente aquecida, depois desse vaivém dialético, entra em ebulição e surge daí o novo, a sua evaporação. Eis o vaivém dialético, o "toma-lá-dá-cá" que normalmente se processa na realidade e forma o novo, gera coisas.
Mesmo, no futebol, ocorrem muitos choques, muitos atritos (muitas contradições) antes que o gol saia, inclusive aquele gol marcado aos 10 segundos do primeiro tempo. Na verdade, o atrito se processa, sempre, em grandes quantidades antes, de surgir o novo. E vai também, de forma processual, transformando lentamente as partes (opostas) que estão em atrito, até chegar o momento em que, tantos foram os choques, as partes mudam de qualidade, nascendo daí o novo, uma síntese que é ao mesmo tempo algo novo e que também contém as partes que entraram em choque para formá-la. Por exemplo, o gol: é algo novo que é também uma síntese de todas as jogadas que se sucederam antes e permitiram que ele acontecesse. É algo diferente, absolutamente novo, que contém todas as jogadas que ocorreram até ele sair. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h02
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É por isto que tudo está em constante movimento e, também, em constante transformação, ou seja, flui para alguma coisa. Primeiro, tudo está em constante transformação quantitativa; só no fim da linha (do processo) é que se dá a mudança de qualidade. Por exemplo: a água na chaleira para ferver. À medida em que a água vai esquentando, vai se transformando também (eis a mudança meramente quantitativa), até que chega o momento em que ela deixa de ser água para entrar em revolução e se transformar em vapor (ocorrendo finalmente a mudança qualitativa).
Na verdade, o atrito sempre se processa em grandes quantidades, aos turbilhões, produzindo um verdadeiro fogo cruzado de forças contrárias que se contrapõem. Uma só força é incapaz de produzir o novo, a não ser que vá de encontro a outra ou a outras, produzindo o choque, o atrito. Novamente, o exemplo da água: muitas vezes, ela precisa pingar zilhares de vezes (a transformação quantitativa) para furar a pedra (e promover a mudança qualitativa, que é a pedra furada). Afinal, água mole em pedra dura tanto bate até que fura. E o furo não é mais nem a água nem a pedra, é algo novo que surgiu desse choque contínuo.
Outra: nenhuma das forças contrárias que se atraem e seguem em direção ao choque é inerte e fica esperando passivamente pela outra para ser atacada, atritada e destruída. Todas as forças contrárias que entram no turbilhão dialético estão sempre em movimento, mesmo as que se encontram em repouso (que é apenas aparente, como já vimos). Enfim, o real é um agito só, em constante produção do novo. Isto porque todas as forças que se opõem contêm também uma agitação interior (presente principalmente em seus átomos), em que um oposto é capaz de agir sobre o outro, mesmo que esteja parado em algum lugar, como a pedra em repouso na montanha, que sofre a ação do tempo e, ao mesmo tempo, vive a própria agitação de seus átomos.
Tudo nasce e persiste na realidade vindo de processos assim, dialéticos. Tuuuuudo!!! E, se tudo é assim ----- ou seja, se tudo caminha na direção dos choques, para daí se produzir o novo -----, tudo está carregado de tendências. Na verdade, somos tendências ambulantes à espera de concretização. Você, que me lê agora, sabe que seu corpo está mudando a cada segundo e a tendência é de que envelheça e, um dia, morra. Quando você vai torcer para o seu time no estádio, sabe perfeitamente que a tendência natural é de haver uma vitória dele, derrota ou empate. Quando o Sol nasce e começa a bater no seu rosto, você sabe que a tendência é de ele queimar sua pele, e que, por isso, você precisa se proteger, ou sair do Sol.
Raros foram os homens que entenderam a dialética e perceberam que a realidade se manifesta assim, dialeticamente. Darwin foi um deles. Quando esteve nas Galápagos, identificou uma espécie de pássaro que habitava todas as ilhas, as quais ficam distantes quilômetros umas das outras. Estudando-as, percebeu que, especificamente numa das ilhas, exemplares daquela mesma espécie tinham o bico diferente dos de outras ilhas: a parte superior do bico era arredondada e pendia para baixo, praticamente cobrindo o bico inferior, como um gancho.
Darwin descobriu que tal mutação genética ocorrera em razão da existência de um fruto só naquela ilha, o qual se assemelhava a uma castanha, com casca grossa e que precisava ser quebrada para ser aberta. O atrito do bico com aquele fruto, ao longo dos anos (processual e dialeticamente), criara aquele tipo bico naqueles exemplares, tornando-se, ao longo do processo, carga genética depois transmitida de geração para geração.
A partir desse exemplo, Darwin descobriu que a vida surgiu na Terra de um mesmo ancestral, microorganismos, os quais foram evoluindo por causa de atritos como esse na água e no solo, até se formarem as mais diversas espécies, das formigas aos dinossauros, e também a humana, ou seja, até se formarem os olhos, a pele, os ossos, o cérebro e as espécies mais complexas. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h01
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Tudo é assim, tudo nasce de processos semelhantes, inclusive a vida e o novo na realidade, também não há exceção para isto, a exemplo do futebol, em que temos a dialética em estado puro. O futebol é a luta de contrários para ver quem vence no jogo de bola. É o movimento dialético visível e explícito, óbvio e ululante. São forças contrárias em ação para que do choque delas nasçam o gol e a vitória, ou a derrota e o empate, que são sempre as tendências que se cumprem nos gramados e o novo que acaba surgindo inevitavelmente em qualquer pelada.
Terminado o jogo, os jogadores não são mais os mesmos (estão mais velhos e cansados, alguns machucados), a bola também não é mais a mesma (está mais velha e mais surrada) e o jogo já acabou, é parte do passado. O que resulta desse intenso turbilhão dialético (o vaivém dialético ou toma-lá-dá-cá) é o novo: uma vitória, uma derrota ou um empate, e também, possivelmente, um novo campeão, um novo clube rebaixado etc. As tendências prováveis se confirmam.
Assim é que, se tudo está em movimento e em constante transformação, o futebol também não foge à regra. Em outras palavras, se tudo está sempre em movimento, ainda que muitas vezes não possamos enxergar esse movimento, e se tudo está em perene transformação, o futebol é a constante mudança também.
Só que a maioria esmagadora de nossa crônica esportiva ----- de PVC e Paulo César Vasconcelos a Daniel Piza e Luiz Zanin Oricchio, inclusive eu até uns anos atrás ----- não enxerga isto. Por não sermos dialéticos, não percebemos que o futebol também flui e está em desenfreada transformação, muda a cada segundo, a ponto de, passados alguns anos, o futebol já ser outra coisa bem diferente, da qual normalmente nem nos damos conta.
Não percebemos as transformações. Ou, quando percebemos, não achamos que elas sejam significativas e importantes para o futebol. Deixamos de ver, também, que todas as transformações do futebol acontecem por força das circunstâncias. Como os clubes precisam ganhar jogos e títulos para se sustentar (as derrotas e perdas de títulos lhes roubam grana e mexem em seus cofres), o futebol flui sempre para a melhor maneira de se conseguir a vitória.
Isto é, as transformações que ocorrem no futebol praticado hoje seguem numa única direção, por coincidência a que mais rende para os clubes: o que fazer e como melhorar para ganhar do adversário e garantir as rendas. Os clubes não fazem outra coisa, hoje, que não tentar ganhar. Buscam a vitória a qualquer preço, pois as derrotas os levam ao esvaziamento de seus cofres, quando não à falência. Com as derrotas, cai dirigente, cai técnico, cai jogador, nada mais dá certo, e o clube perde arrecadação.
É óbvio que essas transformações aparecem, mais, dentro dos gramados, taticamente. É natural que essa busca obsessiva pela vitória reflita-se sobretudo dentro do campo, nos esquemas de jogo.
De 50 anos para cá, o futebol foi se tornando, forçosamente, cada vez mais defensivo. Acabaram os pontas ofensivos, hoje transformados em alas. Os volantes assumiram o papel de comandantes, formando a parede ali no meio-campo, ditando regras e dizendo como o time deve jogar, e ainda com a obrigação de fazer gol, quando der. Os atacantes tornaram-se também fortes marcadores, principalmente os centroavantes de ofício, obrigados que são, agora, a marcar sob pressão o adversário na saída de bola, no abafo, no papel do pivô que volta para roubar a bola ou pegar o "rebote" (como faz hoje Tevez).
Acabaram, ainda, aquela rigidez nas posições e a separação nítida que tínhamos entre os setores do campo (defesa, meio-campo e ataque). Como todos hoje defendem, armam, atacam e fazem gols, até o goleiro (Rogério Ceni), passou a ser burro ----- burrrrrroooo!!! ----- dizer coisas como "o São Paulo tem hoje uma boa defesa e um bom meio-campo, mas um ataque mediano". Hoje, o time inteiro é defesa, o time inteiro é meio-campo, o time inteiro é ataque (até o goleiro faz gols), ainda que os jogadores conservem-se em suas posições.
Essa coisa de que o São Paulo tem boa defesa mas ataque pífio é leitura de quem se restringe apenas à aparência dos fatos e perde o fundamental do futebol, ou seja, é coisa de quem não é dialético. O ataque do São Paulo não é hoje tão eficaz porque seus atacantes receberam ordens do técnico Muricy para defender, fazer a parede e o abafo ali na saída de bola dos adversários, além de marcar gols, e por isso não têm mais tempo nem espaço para assinalar, como faziam antes.
Tanto é assim que, hoje, o goleiro do time (Rogério Ceni) é o artilheiro do São Paulo, e todos da defesa ao meio-campo fazem gols, dividindo essa tarefa com os atacantes, que viraram também defensores. Logo, não tem essa de que o São Paulo conta com um ataque pífio, mas uma boa defesa e um bom meio-campo. Dizer isto é não enxergar a dinâmica do futebol moderno, é sucumbir ao pensamento raso, de percepções falsas a respeito do futebol. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h01
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CONTINUAÇÃO DO TEXTO ACIMA
Sempre existiu essa dialética entre a defesa, o meio-campo e o ataque. Apenas que, atualmente, esses setores confundiram-se mais. É comum você perceber, durante um jogo, que cinco ou seis estão subindo em bloco para o ataque ou que três às vezes quatro correm ao mesmo tempo para roubar a bola de alguém, à la Carrossel Holandês de 1974. Ou seja, não existe mais "uma boa defesa, mas um péssimo ataque". A boa defesa é aquela em que todos defendem, principalmente os atacantes. E o bom ataque é aquele em que todos atacam, inclusive os defensores e o goleiro, que hoje estão sendo, pelo menos no futebol brasileiro, até os artilheiros dos clubes.
Enfim, hoje é cada vez maior o número de clubes que estão com seus times armados assim, nesse esquema que eu chamo de "defensivo-no-ataque", em que todos defendem, armam e atacam para fazer gol. Sim, cada jogador na sua posição, ocupando todos os espaços do campo, mas o time jogando evidentemente no ataque, abafando o adversário. Esse futebol moderno sempre surpreende os adversários convencionais, como faz hoje o São Paulo.
Também é cada vez maior o número de clubes que dão preferência a jogadores polivalentes e completos, que sabem fazer tudo em campo (mesmo que mal), como Maldonado, Tcheco, Zé Roberto (ex-Santos). Até o centroavante foi obrigado a tornar-se polivalente, daí precisar ser lépido, estar dentro do peso e saber marcar muito bem sob pressão, pois ganhou também a função de abafar o adversário na saída de bola e, por isto, tem de correr como um louco e não faz mais tantos gols. Hoje, centroavante que não cumpre este papel, como Romário, garante meia derrota para seu time.
Dessa forma, temos hoje novas leis gerais do futebol, que evidentemente são temporárias também, pois o futebol continua mudando e se transformando, não pára. E essas novas leis um dia também perecerão, ficarão obsoletas, cedendo lugar a outras. Porém, nós, a crônica esportiva, por não sermos dialéticos, custamos a perceber tais mudanças.
NÃO CONSEGUIMOS ENXERGAR O FUTEBOL DIALETICAMENTE. NOSSA LEITURA É MECÂNICA, NÃO LEVA EM CONTA A MUDANÇA PROVOCADA SEMPRE PELA LUTA DE CONTRÁRIOS. LIMITAMO-NOS À APARÊNCIA, DAÍ QUE PERDEMOS INVARIAVELMENTE A ESSÊNCIA. O CRONISTA APRENDEU, NA ADOLESCÊNCIA, QUE FUTEBOL É GOLEIRO, DEFESA, MEIO-CAMPO E ATAQUE, E AINDA ESTÁ NESSA, NÃO ACOMPANHOU AS MUDANÇA, NÃO VIU QUE O FUTEBOL É HOJE OUTRA COISA.
Por exemplo, o Brasil levou uns vinte anos para perceber que se tornaram obsoletos os pontas ofensivos e outro tanto para notar que não dá mais para jogar com mais de um atacante enfiado que não marca. Jogar com dois é suicídio. Desde o Tostão de 1970, quando da conquista do Tri, o centroavante deve jogar como ponta-de-lança ou como aquele meia que ajuda muito na marcação e armação. Entretanto, nossa mídia (e também dirigentes, técnicos e jogadores) ainda não se deram conta disto. A razão: porque o "não-dialético" é lento e raso de raciocínio. Não tem uma visão histórica das coisas, não sabe que elas estão em constante mutação, são tendências vivas. Desconhece que o futebol, como tudo, é um mutante dialético. (CONTINUA NO TEXTO ABAIXO).
Escrito por Tom Capri às 20h00
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CONTINUAÇÃO DO TEXTO ACIMA
Um exemplo de nova lei geral do futebol moderno, para a qual os cronistas ainda estão cegos: time que atua com jogador que não marca ou não sabe marcar, um só que seja, craque ou não, joga sempre com um a menos e normalmente perde. Principalmente quando ele é centroavante de ofício que ainda não aprendeu a fazer a parede nem o papel de pivô na saída de bola do adversário, ou seja, quando não marca, não abafa o oponente, fica só paradão lá na frente, à espera da bola, entregando o jogo, à la Romário (o Romário de hoje).
Veja o São Paulo, que havia dado um chega para lá em Leandro e não vinha bem com Jorge Wagner e Dagoberto, atletas que eram sofríveis na marcação. Bastou Leandro voltar e sair Dagoberto para o São Paulo se recuperar. E nossa crônica esportiva não percebeu isto. Muricy, sim, sacou logo e passou a exigir que tanto Jorge Wagner quanto Dagoberto jogassem mais na marcação. Pediu a Dagoberto que voltasse mais para roubar a bola. Com Jorge Wagner e Dagoberto atuando assim, fortes na marcação, o São Paulo pode ir longe, mesmo que isto lhes custe gols que deixarão de marcar.
Veja também o Santos, que perdeu Zé Roberto e quase foi para o fundo do poço. Bastou Luxemburgo, na sua criatividade peculiar, deslocar o lateral Kléber para o meio-campo (e garantir com ele uma boa armação e um time de forte marcação), para o Santos voltar a vencer.
Então, repito: a nova lei geral do futebol diz que até craques, como Edmundo e Dagoberto, têm de se adaptar e se lançar também na marcação forte. Fazer direito a parede lá na frente, abafando para valer o adversário na saída de bola ou no meio-campo. Ronaldinho Gaúcho, Kaká e Robinho são hoje os melhores jogadores do mundo também porque aprenderam a fazer isso direito. Caso contrário, seriam hoje, como Edmundo e Romário, craques que não marcam, isto é, jogam bem, mas seu time apanha muito para ganhar.
Romário ficou para trás não só porque envelheceu, mas porque não percebeu isto: nunca marcou ninguém e, no final de carreira, já sem o mesmo fôlego, transformou-se num a menos sempre, o que ajudou a derrubar os times em que atuou. Ele terminava o campeonato como artilheiro, mas seu time brigando para não ser rebaixado. E a impressão que ficava, falsa, era de que seu time era bom no ataque, com o genial Romário, mas ruim na defesa, percepção falsa, já dá para sacar.
Palavra de ordem: a era dos especialistas em só uma coisa, como Ronaldo Fenômeno, acabou!!! Ronaldo, inclusive, já entendeu isto e, hoje, é um centroavante que marca muito e sabe abafar o adversário na saída de bola, ainda que esta não seja a praia dele nem seu ponto forte. Dentro do peso como está, pode voltar a brilhar e fazer, de novo, um belo papel na Seleção, como "avante-defensivo-ofensivo", nova personagem do futebol moderno, se é que vocês me entendem.
Por isso, eu sempre disse que Dunga não estava de todo equivocado quando "volantizou" o futebol brasileiro. Seu erro foi apenas o de não ter "volantizado" direito a Seleção. O que é volantizar corretamente? É optar por esses jogadores completos e polivalentes, que atuam como deve jogar o volante moderno, aquele que sabe fazer tudo em campo, inclusive lançar bem e marcar gols. É preciso, portanto, abrir mão dos especialistas que fazem uma coisa só.
Se não temos um centroavante completo, só o de ofício que não sabe marcar, improvisemos então um lá na frente. Improvisar é preciso, como acaba de fazer Luxemburgo no Santos, ao lançar o ala Kléber como homem de armação. Excelente na marcação, na armação e homem também de fazer gol, Kléber está salvando o Santos e é a mais nova arma de Luxemburgo. Por não serem dialéticos, muitos dirigentes, técnicos, jogadores e principalmente cronistas esportivos ainda não acordaram para isto. Já é a hora. Abração a todos, Tom Capri.
Escrito por Tom Capri às 19h59
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